Antonia de Veneza
Traduzido por Adelaide Franco
Uma Vida Musical de Amor, Poder e Intriga na Veneza do Século XVIII
Poucas pessoas conheciam verdadeiramente Antonia, apesar da sua fama como La Stella di Venezia. Entre a beleza e a decadência da Veneza do século XVIII, ela passa de aluna prodígio de Antonio Vivaldi a sua colega musical e a uma das intérpretes mais celebradas da República.
Quando Antonia se apaixona por Orlando Sagredo, mestre responsável pelo planeamento do Palio de Siena, começa a questionar os laços emocionais que moldaram a sua vida. Rodeada por músicos brilhantes, políticos ambiciosos e governantes ineficazes, é arrastada para um mundo de paixão, vingança, altruísmo e tragédia.
Rico em detalhes históricos e inspirado no universo musical de Vivaldi, Antonia of Venice é um romance histórico que explora o amor, a liberdade e o heroísmo feminino como uma força poderosa e igual à masculina.
Descubra Antonia of Venice e entre num mundo onde música, paixão e destino se encontram.
Trecho do livro
Outra pancada! Desta vez, mais acima, no ombro dela. E tinha doído!
Antonia esperou que o solo de cravo começasse antes de se virar para olhar para a violinista que estava atrás dela. Ali estava Isabetta, sorrindo doce e inocentemente, no seu traje preto e branco de órfã do Ospedale. A sua mão esquerda segurava o violino no colo enquanto a mão direita permitia que o arco pendesse a seu lado. Apenas o ligeiro movimento da mão que segurava o arco a denunciava.
Antonia franziu o sobrolho e sussurou. — Para! Para agora! — Os frescos ornamentados e a estatuária da Igreja absorveram a sua voz suave. Buono! O Maestro não a tinha ouvido.
Isabetta limitou-se a sorrir de modo ainda mais inocente e olhou para cima, para o serafim pintado em torno da Madonna. Assim que Antonia se voltou a virar, Isabetta voltou a bater nas costas da jovem ainda com mais força, retomando, rapidamente, a sua pose angélica.
L'angelo di Satana, pensou Antonia, ao mesmo tempo que baixava o braço que continha o arco e arremessava o seu arco para trás.
— Auch! — gritou Isabetta. — Auch!
Com duas rápidas palmas de mãos, Antonio Vivaldi, com o seu cabelo vermelho a abanar-se violentamente atrás dele, silenciou as suas alunas. As jovens raparigas da sua pequena, e escrupulosamente escolhida, orquestra mal respiraram enquanto esperavam que ele falasse. — Domine! Quem gritou? Quem? — Sem fôlego e enraivecido, notou que todas as raparigas tinham virado a cabeça para Antonia e Isabetta. Outra vez! Que irritante! O que é que se passava com a sua calma e obediente Antonia? E lá estava ela, as suas bochechas vermelhas e lágrimas a brotar dos seus olhos novamente! O que era esta desobediência? E Isabetta, uma vez mais, parecia magoada e chateada! Domine! Inconcebível — e logo durante esta calmaria depois da tempestade de violinos! — Antonia, o que fizeste desta vez? Fala!
— Nada! — As lágrimas que ela tanto desprezava começaram a rolar pelas suas bochechas. Ela odiava esta perda pública da face! — Foi Isabetta... é sempre ela! Ela bateu-me com o arco dela! — Antonia sentiu-se impotente. Odiava este ritual de manipulação e humilhação. Sempre, sempre, a intolerável frustração e depois a solidão. Solidão porque o Maestro parecia nunca acreditar nela. Não valia a pena defender-se. Defender-se só serviria para forçar o Maestro a diminuir o seu amor. Oh, se ao menos ela conseguisse encontrar uma maneira de bater o pé e mudar tudo! Porque é que as outras me odeiam desta maneira? Porquê? Porque é que o Padre Antonio não vê o que elas estão a fazer comigo?
— Isabetta, o que tens a dizer em tua defesa? — Vivaldi virou-se para a rapariga mais velha atrás de Antonia. — Fala!
Isabetta ficou hirta perante a rigidez da voz do Maestro. — Padre Antonio, eu não fiz nada. Foi a Antonia que me magoou. — Ela virou-se para as outras raparigas sentadas na sua fila. Todos os olhos se focaram nela. Oh sim, elas vão apoiar-me e deitar as culpas na Antonia! Elas fazem sempre isso! Novamente confiante, Isabetta olhou modestamente para o Maestro e acrescentou — Pergunte a qualquer uma das outras raparigas, senhor.
Todos os olhos se concentraram nas duas violinistas em disputa.





Sed purus sem, scelerisque ac rhoncus eget, porttitor nec odio. Lorem ipsum dolor sit amet.