Cadáveres Dizem Cada Coisa (Os Mistérios de Nod Blake Livro 1)
Traduzido por Pedro Henrique Leal
Um Mistério Hard-Boiled em que os Mortos Não Ficam em Silêncio
Era para ser um simples trabalho de vigilância: observar a esposa do pastor até que ela fosse dormir em segurança. Então tudo deu errado. Na Chicago de 1979, a esposa de um querido televangelista está morta, e alguém está assassinando os membros da Igreja Templo da Majestade, um após o outro. O investigador particular Nod Blake — um detetive à moda antiga, vindo de outra época — acaba no centro do caso depois que um ferimento o deixa convencido de que as vítimas estão falando com ele do além-túmulo. Descobrir se as vozes são reais ou um sinal de que ele está perdendo a sanidade logo se torna o menor de seus problemas quando o tenente-detetive Wenders encontra provas que apontam Blake como o assassino. Corpses Say the Darndest Things, de Doug Lamoreux, combina ficção policial hard-boiled, mistério sobrenatural, assassinato e um humor sutil tendo como pano de fundo a atmosfera sombria da Chicago conhecida como Cidade dos Ventos.
Entre no caso mais estranho de Nod Blake e descubra por que, neste mistério sobrenatural hard-boiled, um assassino maníaco à solta pode ser a boa notícia.
Trecho do livro
Imagine, se puder, um detetive particular mais que acabado correndo rua abaixo atrás de um policial uniformizado o mais rápido que qualquer um de nós conseguia. É, nós éramos um achado.
Não que alguém desse a mínima. Na Cidade dos Ventos, como em qualquer outra metrópole com um milhão de pessoas passando a qualquer hora, poucos se davam ao trabalho de olhar e ninguém metia a mão. Não, irmãos e irmãs, eu estava por conta própria e dando tudo de mim atrás dele. Eu sou o detetive particular. Poderia descrever os sons, os cheiros. Poderia dar o nome das ruas, descrever as reviravoltas e as curvas, as pessoas que quase derrubamos, as coisas das quais desviamos, sobre as quais saltamos, os veículos que quase nos atropelaram. Mas pra quê? Nós corremos até eu ficar sem fôlego e desejar o mesmo para ele e pior. Nós corremos até ele cometer um erro.
Ele estava passando por duas prostitutas, uma loira magricela cujas raízes combinavam com suas botas de cano longo e uma bunduda alta da cor de chocolate amargo, vestida com lycra verde e dourado com listras de zebra, vadiando perto de um prédio abandonado na North Avenue quando gritou e virou em um beco que eu sabia não ter saída. O idiota. Assim como um sapo tem pernas deliciosas, eu tinha pego ele. Eu passei pelas moças trabalhadoras, rápido demais para prestar atenção, virei a esquina e quase bati numa caçamba de lixo que fedia como o inferno dos peixes na maré baixa. O homem de azul estava logo adiante. De uma das janelas abertas acima, como se fizesse a defesa dele, a Electric Light Orchestra implorava Don't Bring me Down. Nem aí pra isso. Sugando ar com o coração prestes a explodir, eu pulei e aterrissei nas costas dele.
Ele não podia simplesmente cair, é claro. Como a sorte não existe na minha vida e a boaventura não passa de uma fantasia, o tira escorregou e caiu. Eu rolei por cima dele e dei com tudo na calçada e, como eu ainda o segurava, ele retornou o favor. Lixo, jornais, cartolina e, sinto dizer, cascalho voaram. Eu apertei minha própria campainha em um inconvenientemente descartado bloco de concreto, usando a parte de trás do meu crânio como gongo. Um grito em conjunto, da nossa dor, minha raiva e o medo dele foi ao ar como uma nuvem de cogumelo. Antes que o barulho e a poeira baixassem e a despeito da minha visão borrada e do esfolado ensanguentado, eu me levantei rapidinho.





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