Cidade do Medo (Mistérios de Carter Thompson Livro 2)
Traduzido por Nelson De Benedetti
Uma Jovem Desaparecida. Um Rastro de Mentiras. E Inimigos Que Não Esqueceram.
Depois de deixar a Promotoria, Carter Thompson trocou o serviço público pela vida de investigador particular. Quando um pai desesperado lhe pede ajuda para encontrar a filha, Tanya, desaparecida há três semanas, Carter aceita o caso. A investigação o leva ao mundo das agências de modelos, casas noturnas e do tráfico de drogas em Sydney, onde quase todos parecem esconder alguma coisa.
Ao mesmo tempo, o antigo chefe de Carter precisa de sua ajuda com o próprio filho, cujo envolvimento cada vez maior com heroína o aproxima perigosamente de pessoas do passado de Carter. À medida que antigos inimigos reaparecem e versões contraditórias se acumulam, Carter precisa descobrir em quem pode confiar — e o que realmente aconteceu com Tanya.
Acompanhe Carter Thompson em um mistério policial intenso, no qual instinto, lealdade e velhos rancores se cruzam na busca por uma jovem desaparecida.
Trecho do livro
Carter Thompson havia passado boa parte da noite anterior jogando pôquer na sala dos fundos de um bar de narguilé na Estrada Enmore. Um jogo apenas para convidados, onde ele ganhou, se não uma quantia enorme, pelo menos dois meses de salário para um Cara médio que empilhava prateleiras ou fazia a coisa do 7-11.
Seu celular estava tocando. Ele acordou, estendeu a mão por baixo do edredom, pegou-o na cômoda, só conseguiu derrubá-lo no chão. Colocou a cabeça de volta sob o edredom.
Sorriu.
Abraçou a si mesmo.
Eram três da tarde.
O celular tocou novamente. Ele jogou o edredom para trás, abaixou-se, pegou o celular, cutucou o círculo verde com o dedo médio e disse, ‘Sim, Thompson.’
‘Carter Thompson?’
‘Sim.’
‘Podemos nos encontrar?’
‘Quem é?’
‘Sua advogada me disse para ligar para você. Eu quero contratar você. Para encontrar minha filha.’
‘Minha advogada?’
‘Chantal Adams. Isso é urgente, Senhor Thompson.’
‘Ah, essa advogada. Certo, urgente.’
Eles eram todos fodidamente urgentes.
Chantal tinha sido um erro.
‘Olha, eu tenho o seu número agora. Deixe-me juntar minhas coisas. Ligo para você em mais ou menos uma hora, certo?’
‘Sim, por favor me ligue. Eu não sei mais o que fazer.’
‘Qual o seu nome?’
‘Doug Lever. Por favor ligue.’
‘Uma hora, sem problema.’
Cash levantou-se nu, sua namorada Aimee estava na cama com ele quando ele adormeceu. Ela estaria trabalhando em um café onde trabalhava como garçonete na Rua King, Newton. Ele caminhou até a cozinha, balançou a cabeça, mudou de ideia. Entrou no banheiro, direto para o chuveiro, abriu o quente, ajustou-o com o frio. Encostou-se na parede do chuveiro enquanto a água o esmurrava. Terminado, enxugado. Olhou no espelho. Ainda suave, pele morena clara. As mulheres o achavam bonito: covinha no queixo, olhos cor de chocolate, alto. Cabelos castanhos escuros cortados à moda antiga, curtos atrás e nas laterais. Voltou para a cozinha. Encontrou cápsulas, cápsulas fortes, número 12, enfiou uma na máquina, abriu a geladeira, pegou um copo plástico cheio de leite numa prateleira lá. Colocou tudo em movimento. Ele odiava máquinas de café adequadas, muita bagunça. Ele usou o micro-ondas, não o vaporizador porque o vaporizador nunca esquentava o leite o suficiente. Recarregou a máquina com uma segunda cápsula número 12, café... forte agora.
Ele se sentou a uma mesa de cozinha Laminex vermelha em uma cadeira estofada vermelha. Ideia de Aimee, embora ela não morasse lá. Ele comprou a casa em Erskineville depois que um tio morreu um ano antes. Não totalmente, ele tinha uma pequena hipoteca de acordo com o banco. Pequena sendo duzentos K. Um tio que ele mal conhecia.




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