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Romance · Paranormal Romance

Calor Polar

Traduzido por Ju Toni

A chegada de uma professora rompe a solidão de um metamorfo urso-polar, mas os segredos dos dois põem à prova uma atração irresistível.

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THE STORY

About the book

Locales

Russell está satisfeito com uma vida tranquila e isolada em uma pequena cidade do Alasca. Como metamorfo capaz de se transformar em urso-polar, ele tem bons motivos para manter a vida sem complicações.

Então Riley Jenkins, uma professora de educação infantil, chega dos estados contíguos dos Estados Unidos. O cheiro dela o atrai imediatamente, tornando impossível manter sua confortável solidão. Mas a atração é apenas o começo do desafio.

Russ precisa encontrar uma maneira de revelar sua natureza oculta, enquanto Riley guarda segredos dolorosos. Um vínculo que parece predestinado ainda terá de sobreviver à verdade sobre os dois.

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Russell “Russ” Tadzea estava na pequena pista improvisada ao lado do seu avião de dois lugares e encarava com descrença a mulher à sua frente. Mulher é a palavra errada. Ela é uma garota. Uma jovem. Ela não pode ser a professora. Em sua mente, Russ lembrou das professoras de jardim de infância que tinha visto na televisão. Ela seria de meia idade e rechonchuda, na linha entre a tia favorita e a avó gentil e leitora de histórias. Ela cheirava a canela e pasta de dente de hortelã-pimenta. Esta… criatura parecia que uma brisa forte a sopraria para longe. Cabelo da cor de açúcar mascavo rodopiava ao redor dos seus ombros, emaranhando-se no falso pelo branco que revestia o capuz do casaco. Luvas pretas finas protegiam seus dedos do frio de setembro. Para Russ, parecia bastante agradável com temperaturas abaixo de 10°C, então ele sabia que ela não era do Alasca. A garota encontrou seus olhos. Piscinas escuras de âmbar prenderam sua atenção, brilhando ao sol.
“Riley Jenkins?” ele perguntou e ela se encolheu enquanto assentia. “Você é a professora?” ele insistiu.
Ela abaixou o queixo de novo, mas nenhum som surgiu.
“Você precisa de óculos de sol,” ele disse bruscamente. “Só porque está frio não significa que está sempre escuro. E espero que você tenha luvas melhores do que essas.”
“Sim, senhor,” ela respondeu. “Sei um pouco sobre o frio. Elas estão na minha mala. Não está tão ruim agora.” Sua voz suavemente modulada, pelo menos, parecia certa. As crianças vão se reunir ao redor dela para Cachinhos Dourados e Rumpelstiltskin. Gostaria de poder ouvir.
Afastando os pensamentos tolos, Russ percebeu que talvez tivesse soado um pouco rude. Embora a garota tivesse respondido sem uma demonstração evidente de emoção, seus olhos tinham um brilho suspeito e seu lábio parecia querer tremer. Ela terá de endurecer se quiser sobreviver a esse deserto remoto. Mas ele ainda sentia uma pontada de culpa por causa da sua brusquidão. “Vamos, garota,” ele resmungou, indicando o avião.
Ela olhou para o avião com desconfiança e depois virou-se para ele, uma sobrancelha erguida.
“Sim, é seguro,” ele rosnou. “Sou piloto desde… desde que eu tinha idade suficiente para dirigir um carro e conheço este pequeno avião como a palma da minha mão. Você ficará bem.”
Ela suspirou e caminhou na direção do pequeno veículo alado. Ele abriu a porta para ela e a ajudou a subir no banco do passageiro. Fechando a porta atrás dela, ele examinou Golden, Alasca, a cidade que seria a casa dela até… bem, ela não parecia que duraria muito aqui. Casas e cabanas se agrupavam ao redor de uma mercearia, uma lanchonete e uma pequena igreja. Mais para trás, fora da vista, algumas lojas, um pequeno cinema e várias outras empresas se misturavam entre mais casas. O complexo escolar K-12 ficava à direita em uma clareira na densa floresta perene. À esquerda, árvores se amontoavam ombro a ombro em uma densa parede verde. Não parece muito para um forasteiro, eu garanto, ele pensou, embora a cidade pequena o deixasse um pouco nervoso por si só. Ele contornou o avião e pulou no banco do piloto, ligando rapidamente o motor.
“Você já voou em um avião pequeno antes?” ele perguntou.
“Sim,” ela respondeu. “Uma vez, meu pai e eu viajamos em um avião tão pequeno que só tinha uma comissária de bordo.”
Ele abriu a boca e depois a fechou de novo, mas uma olhada rápida na direção dela revelou uma expressão presunçosa em seu rosto.
“Vai me provocar, não é?” ele disse com uma risada estrondosa. “Posso ter de acertar algumas bolsas de ar ao longo do caminho.”
Ela deu uma risadinha. “Espero que você tenha boas ferramentas para limpeza de vômito… ou uma sacola grande de vômito. Mas falando sério, nunca estive em um tão pequeno. Você tem certeza que é seguro? Espere, apague isso. Sinto muito, não pretendia duvidar de você.” Seus olhos estranhos, cor de uísque, caíram para o colo, onde suas mãos se contorciam nervosamente, estragando os dedos das luvas.

Simone Beaudelaire

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