O Mal de Natal
Traduzido por Ariadne Ayres
Dezanove Contos Arrepiantes para uma Véspera de Natal Inesquecível
A Véspera de Natal é uma época de encanto, magia e expectativa — mas, nesta coletânea de dezenove contos de terror de Mark L’Estrange, é também uma noite em que os pesadelos ganham vida. Um pai desesperado fará qualquer coisa para alimentar os filhos, uma mulher herda uma casa isolada que esconde um segredo mortal, uma viúva assassina acaba por partilhar uma carruagem de comboio com Jack, o Estripador, e dois ladrões descobrem que escolheram a casa errada para assaltar.
Noutros contos, uma babysitter descobre que um assassino em série anda à solta na aldeia, um marido assassinado ergue-se de uma vala da peste em busca de vingança, uma mulher vítima de abusos procura refúgio num lugar que está longe de ser seguro, e uma motorista de entregas parte para aquela que poderá ser a sua última viagem.
Sombrio, inquietante e envolto na atmosfera da época festiva, este conjunto de histórias de terror passadas na Véspera de Natal transforma tradições familiares em algo muito mais sinistro. A única pergunta é: alguém conseguirá sobreviver até à manhã de Natal?
Descubra dezenove histórias aterradoras de Véspera de Natal e prepare-se para uma quadra festiva repleta de suspense, horror sobrenatural e surpresas mortais.
Trecho do livro
Toda Véspera de Natal tem seu ritual.
Na nossa casa era que todas as crianças podiam aproveitar a ceia da meia noite, se eles estivessem acordados a essa hora. Eu olhei meu relógio enquanto eu secava minhas mão na toalha; eram 11h55min ao passo que eu espiava os dois mais velhos espreitando pelos degraus da escada em minha direção.
Eu me aproximei da escada e agachei diante deles. Adam, meu primogênito, tinha oito anos; alto e magro, ele já estava desenvolvendo os ombros largos de um nadador. Charlotte, irmão dele, acabara de fazer seis, e como a mulher mais velha da casa levava suas tarefas muito a sério tomando conta de todos nós.
“O que estão fazendo acordados?” eu perguntei, despenteando o cabelo de Adam e apertando o nariz de Charlotte entre meus dedos.
Charlotte recuou, dando risinhos. “Estamos com fome, papai,” ela disse, um sussurro quase inaudível. Meus filhos foram ensinados a falar baixo toda vez que papai tivesse visitas.
“Morrendo de fome,” enfatizou Adam, quase choramingando.
Eu ri. “Estão morrendo de fome, né?” Eu cutuquei a barriga de ambos de brincadeira. “Como se vocês nunca tivessem sido alimentados, morrendo de fome?”
Ambos olharam para mim, suplicantes.
Então, eu avistei meu caçula atrás deles. Melody tinha quase dois anos e mal andava. Ela desviou de seus irmãos, usando-os como apoio antes de tentar passar por mim. Eu a segurei e peguei no colo seu corpinho minúsculo, ficando de pé.
Um pai não deve ter favoritos! Este é um padrão com o qual eu me recuso a comprometer. Eu amo todos meus filhos, e ainda havia algo especial sobre minha pequena Melody. Desde de a primeira vez que ela abriu seus penetrantes olhos azuis e olhou para mim sorrindo, eu senti a dor aguda da antecipação que todos pais devem sentir na primeira vez que sua filha deixa o ninho.
Naturalmente, eu sabia que esse dia estava a muitos anos de distância, mas, independentemente do quanto irracional aquilo parecia, eu já sentia falta dela.
Enquanto eu fitava seu rosto angelical, com seu perfeito cabelo preto circundando-o, mas uma vez eu senti meu coração afundar. Apesar da mãe dela ter sido de uma beleza rara, eu ainda achava incrível que um anjinho tão perfeito poderia ter feito parte de mim um dia.
Percebendo que seus esforços eram inúteis, Melody parou de espernear em meus braços. Ela olhou para mim com um olhar de partir o coração, e começou a esfregar sua barriga no sentido horário. Eu sabia que esse era o jeito dela de me dizer que estava com fome.





Sed purus sem, scelerisque ac rhoncus eget, porttitor nec odio. Lorem ipsum dolor sit amet.