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Uma Questão de País

Uma Questão de País

Traduzido por Juliana Chiavatti Grade

Uma História de Migração, Criatividade e Busca por Pertencimento

Na véspera de Natal de 1969, os recém-casados Anna e Joseph Fletcher recebem a notícia que os levará de Londres à Austrália e mudará para sempre o rumo de suas vidas.

Jovem, idealista e fascinada pelo país que escolheu para viver, Anna transforma seu intenso amor pela Austrália em poesia. Porém, uma gravidez inesperada, as exigências da maternidade e as limitações de um casamento tradicional começam, pouco a pouco, a sufocar sua criatividade. Anos depois, uma tragédia no subúrbio inspira seu primeiro romance, dando início a uma carreira literária controversa na conservadora Queensland e trazendo sucesso, notoriedade e segurança financeira.

Ainda assim, por trás das conquistas de Anna, existe uma profunda sensação de perda. À medida que a depressão e a desilusão se intensificam, ela se refugia nos mundos fictícios que criou. Então, aos setenta anos, uma tragédia a obriga a encarar a realidade e a considerar uma nova viagem — desta vez para o Canadá, o país que seu filho agora chama de lar.

A Question of Country é um romance sensível sobre migração, casamento, maternidade, direitos das mulheres, ambição criativa e o complexo significado de se sentir em casa.

Descubra a busca de Anna Fletcher por pertencimento em A Question of Country.

Trecho do livro

Anna lembrou-se de chegar em casa naquele dia de dezembro com toda a claridade cristalina de um vidro recém-lavado, detalhes daquelas horas de longa data embebidos em seu sangue e osso. Eles marcaram o nascimento de uma relação tempestuosa que, após cinquenta anos, ainda daria cor para sua vida.

Uma pilha de correspondências de Natal cumprimentou seus sapatos encharcados de neve, precipitando uma dança desajeitada do capacho novo para o carpete puído. Depois de depositar a bolsa e a sacola de compras no balcão do hall, ela pegou as cartas e folheou os pequenos envelopes, sorrindo para o endereço ainda desconhecido escrito por amigos e parentes. No final da pilha, um envelope de papel pardo chamou sua atenção e seu sorriso se alargou quando ela notou os detalhes da entrega datilografados e o carimbo postal de Londres. Segurando o envelope entre os dedos enluvados, ela não fez nenhuma tentativa de recuperar os cartões de Boas Festas que caíam como flocos de neve gigantes sobre o tapete floral desbotado. Uma corrente de ar da porta aberta provocou uma ação rápida de seu pé direito, enquanto sua mão esquerda alcançou o interruptor de luz, posicionado por algum motivo desconhecido a pelo menos um metro da porta. De braços abertos, ela deslizou sobre o cartão de Natal da tia Maud, borrando a caligrafia em caneta-tinteiro, depois se inclinou em direção ao suporte do corredor. Grata pela pesada mobília vitoriana, ela agarrou a borda polida para evitar uma queda. Leve como um pássaro, o envelope marrom flutuava para baixo para se juntar a variedades mais pálidas no tapete.

Com o equilíbrio restaurado, Anna tirou os sapatos e se abaixou para pegar as cartas espalhadas. Parecia não haver sentido em segurar o envelope pardo contra a luz; a sala estava muito escura para ver qualquer coisa útil àquela hora da tarde de inverno. Além disso, concordaram que um não deveria saber antes do outro; eles devem abri-lo juntos, compartilhar as notícias boas ou indesejadas. Infelizmente, ela sabia que Joseph chegaria tarde em casa, pois a visita mensal de seu gerente de área terminaria com drinques no bar na sexta-feira antes do Natal.

***

Duas horas e dez minutos depois, com o jantar pronto e a cozinha aconchegante com o fogão a gás e do fogão a lenha, ela ainda esperava para cortar o grosso papel pardo. Apoiado na bancada da cozinha ao lado do sal e pimenta, o envelope parecia zombar de sua ocupação deliberada, sua aba colada e conteúdo desconhecido nunca longe do pensamento ou do olho.

De repente, ela ouviu a porta da frente bater na parede com um baque. Um segundo baque e passos no corredor estreito confirmaram a chegada de Joseph.

— Cheguei, querida, — ele disse como sempre, entrando na sala.

Da porta da cozinha Anna o viu jogando seu casaco em uma poltrona e atravessando o linóleo de cozinha rachado espalhando folhas molhadas. Lábios gelados beijados, hálito de uísque aquecido, cabelos molhados pingando sobre seu avental listrado de doces.

A Praga Da discórdia

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