Um Lugar Seguro Para Ficar
Traduzido por Nelson De Benedetti
Uma História de Guerra, Coragem, Perda e Esperança
À medida que o Blitz ameaça Londres, Sandra Cooper deixa a cidade com o filho de nove anos e a filha de três, na esperança de encontrar segurança em Hertfordshire enquanto o marido serve no exército.
Mas a guerra segue-os. Ao longo dos cinco anos seguintes, Sandra enfrenta ataques aéreos, perdas devastadoras e a luta constante para proteger os filhos. Quando Edward, um jovem piloto, se torna uma fonte inesperada de amizade e conforto, ela também precisa de enfrentar sentimentos que podem colocar ambos em perigo.
Narrado sobretudo a partir da perspetiva dos civis, este comovente romance sobre a Segunda Guerra Mundial explora a família, a resiliência e a sobrevivência durante um dos períodos mais sombrios da história britânica — desde o Blitz e os ataques com os mísseis V1 e V2 até à promessa de um futuro mais risonho após a vitória na Europa.
Descubra a inesquecível jornada de Sandra através da guerra, da dor e da esperança.
Trecho do livro
OUTUBRO DE 1940
Da janela do quarto naquela tarde, pude ver três casas do outro lado da rua, números 16, 18 e 20, mas na manhã seguinte havia apenas duas casas em pé e entre elas um grande buraco com uma massa fumegante de entulho onde a terceira habitação havia estado. Quando eu estava lá, olhando para fora, embora não tivesse ideia do que estava por vir. Claro que não era novo nem inesperado e já tinha acontecido várias vezes por toda Londres e, algumas vezes, perto do nosso cantinho de Islington.
A sirene de ataque aéreo começou a soar por volta das nove da noite. Minha mãe estava correndo para tirar minha irmã Paula da cama e vesti-la, embora ela tivesse acabado de acomodá-la para dormir. Então ela estava arrumando sua bolsa com salgadinhos como batatas fritas, chocolate e limonada e um breve grito, enquanto estava em movimento, para mim, para me mexer rapidamente. Nunca precisei de insistência, já estava com a mão na gola de Charlie e o conduzia para a copa nos fundos da cozinha, onde o trancaria. Ele não fez barulho, mas foi para lá de maneira dócil; ele tinha sido depositado lá vezes suficientes para se acostumar com isso. Então pegamos cadeiras de lona, Mamãe carregando duas e eu uma e saímos de casa ao seu sinal, um aceno de cabeça e um olhar arregalado, e descemos a colina. Paula não mostrava nenhum sinal de urgência quando a sirene soou novamente, rouca e ameaçadoramente alta agora que estávamos na rua. Eu agarrei a mãozinha dela e disse algo como venha, rápido e puxei-a enquanto caminhava.
Sob a cobertura de concreto do estádio de futebol já havia bastante gente acomodada em cadeiras improvisadas ou sentada em mantas no chão frio. O espaço era grande, um amplo corredor que conduzia às partes principais do estádio, mas bem equipado para oferecer pelo menos proteção imediata contra bombas. Sempre preferimos o estádio de futebol à plataforma da estação do metrô; o metrô estava muito mais abaixo na colina e quando você chegava lá estava muito mais cheio de corpos amontoados; o barulho perturbador, o cheiro de suor desagradável e o ar úmido e azedo no túnel muito desagradável.
Minha mãe abriu a garrafa térmica e se serviu de uma caneca de chá. Paula andava espreitando pelos cantos, olhando as pessoas sentadas com seus livros, jornais ou tricô, muitas delas erguendo os olhos para sorrir para a menininha.
‘Fique de olho nela, Bobby, sim?’ Mamãe disse suavemente. ‘E traga-a de volta aqui se ela estiver incomodando alguém’.
Eu balancei a cabeça. Do lado de fora, eu podia ouvir o estrondo abafado das bombas de Hitler explodindo, mas nunca senti ou mesmo pressenti qualquer perigo. Muito jovem para aceitar, suponho, pronto para viver a aventura do momento em que casas bombardeadas se transformam em pilhas de lixo ou você pode encontrar um pedaço de estilhaço prateado no jardim na manhã seguinte.





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