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A Farsa de Alejandro

A Farsa de Alejandro

Traduzido por Claudia Vilanova

Um Thriller Político Arrebatador Sobre Amor, Traição e Resistência

Terreno, América Latina, 1983. Após dez anos de um regime militar brutal, a ditadura do general Pelarón parece começar a enfraquecer. Alejandro Juron, guitarrista do célebre poeta e cantor popular Victor Pérez, é libertado da infame prisão conhecida como “A Última Ceia”. A resistência clandestina espera que ele volte à luta — mas Alejandro já não é o mesmo homem de antes.

Atormentado pela culpa de ter traído Victor e entregado o amigo aos seus torturadores, Alejandro é arrastado para uma perigosa teia de intrigas políticas, corrupção, violência e rebelião. À medida que as tensões crescem rumo a uma insurreição catastrófica, ele precisa enfrentar o próprio passado e fazer uma escolha impossível entre o amor e a fuga.

Ambientado no país fictício de Terreno e inspirado nas ditaduras latino-americanas das décadas de 1970 e 1980, A Mentira de Alejandro é ao mesmo tempo uma dramática história de amor e um perturbador thriller político. O romance explora os mecanismos do autoritarismo e o custo humano de sobreviver sob a repressão, perguntando o que resta da lealdade, da coragem e do amor quando o medo domina a vida cotidiana.

Descubra A Mentira de Alejandro, um romance poderoso sobre ditadura, resistência, culpa, traição e as escolhas que as pessoas fazem para sobreviver.

Trecho do livro

O verso era de um de seus amigos, a última canção de Víctor antes de ser torturado até a morte. Alejandro Juron foi atormentado por ele enquanto assistia ao desfile repleto de tanques na quarta-feira, 19 de outubro de 1983, em Valtiago, capital de Terreno.

O desfile fora anunciado com muita pompa e luxo como uma “poderosa expressão da ânsia do povo”.

Oradores asseguraram aos manifestantes que O Povo iria, finalmente, derrotar a junta do general Pelarón.

A retórica pomposa divertiu Alejandro:

“Ombro a ombro, nós forçaremos a abertura das portas para a democracia prometida pelo general Pelarón!”

— Cruzarei meus dedos, seus lerdos — Juron murmurou alto, um hábito adquirido dos anos no confinamento solitário.

Geralmente vibrante e colorido, hoje o grande shopping center da Avenida General Pelarón tinha a mesma tonalidade soturna das Montanhas Andinas detrás da cidade. Ônibus policiais pretos com janelas blindadas surgiram no fim da rua.

Alejandro Juron adentrou a varanda de um café. Normalmente o café estaria lotado de trabalhadores de escritório àquela hora do dia; mas, por conta da comoção, estava vazio. Um tanque policial bloqueava a via.

Anos atrás, Juron havia sido um guitarrista muito celebrado em um grupo chamado Aconcágua, famoso por todo o continente latino americano por suas músicas de protesto; mas não se sentia inspirado a participar daquela marcha de protesto.

Os manifestantes estavam fora de si: a junta que governara Terreno pelos últimos dez anos não estava à beira do colapso, como os oradores disseram. Nos últimos meses, havia feito algumas concessões para que parecesse menos ditatorial, mas Alejandro sentiu que tudo não passava de uma cortina de fumaça.

A crise econômica e os crescentes protestos populares haviam, recentemente, forçado o general Pelarón a anunciar que “iria abrir as portas à democracia no momento apropriado e da maneira apropriada”.

A oposição, uma pitoresca coleção de grupos dispersos que, na maior parte do tempo, estavam engalfinhando-se entre si, tomou as ruas depois do discurso do general, como se a vitória já houvesse sido alcançada.

Juron tinha certeza de que Pelarón havia feito aquela promessa para forçar os oponentes a saírem da clandestinidade e tê-los reunidos pelo interesse da “paz nacional”.

Ele queria correr, mas seus olhos o detiveram — estava vendo a fata morgana que o atormentou incessantemente em sua cela de prisão. Ali estava ela — cintilando na neblina que subia das poças da manhã chuvosa.

Lucía.

O nome de seu amor secreto parecia fora de contexto nessas circunstâncias. Enquanto os instintos de Juron o diziam para cair fora dali, ele era incapaz de tirar seus olhos daquela mulher na multidão. Ela havia amarrado uma echarpe por cima da boca, literalmente amordaçando a si mesma, e carregava um cartaz ao redor do pescoço com os dizeres Fin a la Censura. Seu rabo de cavalo, o brilho reluzente em seu cabelo: estavam da mesma maneira como Lucía costumava usar. Poderia ser um sinal que, finalmente, poderei purgar minha penitência?

Alejandro praguejou: esses pensamentos seriam de um músico romântico, não de um homem que precisava manter um comportamento discreto. Fora daqui!

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