Alice A. Bailey, Vida e Legado
Traduzido por Marcia Brando
Alice A. Bailey: A Vida, os Ensinamentos e o Legado por Trás do Movimento da Nova Era
Alice A. Bailey: Vida e Legado é uma biografia minuciosamente pesquisada sobre uma das figuras mais influentes — e controversas — da espiritualidade ocidental moderna. De uma infância aristocrática marcada pela tragédia e pela perda à sua crise espiritual, à aproximação com a Teosofia e ao surgimento como professora da Sabedoria Eterna, o livro acompanha a complexa trajetória pessoal e intelectual de Bailey.
Além de sua história de vida, a biografia explora o desenvolvimento de seus ensinamentos esotéricos, incluindo Um Tratado sobre Fogo Cósmico, os Sete Raios, a psicologia e a astrologia esotéricas, o discipulado e a iniciação espiritual. Também examina as organizações que ela fundou, as divisões que ocorreram após sua morte e os estudantes e pensadores que levaram suas ideias à Psicologia Transpessoal, à Psicossíntese e ao movimento mais amplo da Nova Era. Ao abordar controvérsias, acusações e equívocos de longa data — incluindo alegações de racismo e antissemitismo —, o livro oferece uma reavaliação detalhada do lugar de Bailey na história espiritual do século XX.
Descubra a vida extraordinária, as controvérsias e a influência duradoura de Alice A. Bailey, bem como os ensinamentos que continuam a inspirar grupos espirituais em todo o mundo.
Trecho do livro
A criança que se tornaria a controversa ocultista Alice A. Bailey começou sua vida como Alice Ann La Trobe-Bateman em Manchester, Inglaterra, em 16 junho de 1880. Ela nasceu sob o signo zodiacal de Gêmeos, o signo dos gêmeos, um mortal e o outro divino. É o lar zodiacal do planeta Mercúrio que, em seu papel psicopompo, é o condutor das almas entre esse mundo e o próximo. Para alguns, Gêmeos é o símbolo da dualidade da sombra e do eu. O governante esotérico, Vênus, o aspecto mais alto da mente, une esses pares de opostos e oferece um relacionamento com a irmandade divina. Tudo isso provê, em termos astrológicos, um eco simbólico de um tipo de consciência dupla, que seria a marca de uma vida extraordinária.
Alice nasceu no final do período vitoriano na Grã-Bretanha, em uma época em que a pequena nobreza rural passava por um período de ajuste considerável às novas condições econômicas emergentes da Grã-Bretanha pós-Revolução Industrial. A queda no faturamento das fazendas nos grandes estados do país, parcialmente por causa da importação barata de grãos dos Estados Unidos da América, fez com que muitos vendessem partes de suas terras. Outros começaram a se interessar nos assuntos de negócios e comércio. Era uma época de investimento abundante em obras públicas e engenharia civil, mais significativamente para a família de engenheiros pioneiros La Trobe-Bateman, com a construção de pontes e fornecimento de água.
Em sua autobiografia, Alice Bailey fala bastante do lado paterno de sua família, com uma pitada liberal ao mencionar nomes e lugares. Ela cresceu dentro da aristocracia britânica e confessa ter sido uma esnobe incondicional. Quando criança, e novamente mais tarde na vida, ela movimentou-se por círculos privilegiados. Sua posição social influenciou muito a maneira como formou suas organizações, as pessoas com as quais se associou e o legado que deixou à humanidade. Sua ascendência culta moldou a maneira que via o mundo, as atitudes e crenças que ela amava e, acima de tudo, sua moralidade eduardiana. Mesmo essa linhagem ilustre representa apenas a metade da herança de Alice Bailey e a outra, a linha de sua mãe, conta uma história diferente.
Em sua autobiografia, Alice Bailey soletra incorretamente o nome de solteira de sua mãe. Do lado de sua mãe, Alice refere-se a si mesma como uma Holinshed. Ela declara que os membros de sua família eram descendentes de Raphael Holinshed, o cronista que inspirou Shakespeare. Não faz nenhuma outra menção de sua herança materna além de declarar:
Até onde sei, nenhum de meus ancestrais [maternos] fizeram nada interessante em particular. Eles eram respeitáveis, mas aparentemente desinteressantes. Como minha irmã uma vez disse: “eles ficaram na mesma vidinha de sempre.” Era uma linhagem de cultura boa e limpa, mas nenhuma das pessoas atingiu qualquer notoriedade famosa ou infame.
A impressão que Alice Bailey dá é de uma nobreza pequena e preguiçosa, que vive da fartura da terra.





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