Castello dei Trantini - Uma Morte na Toscana
Traduzido por Marcella Araujo
Um Mistério Toscano de Família, Vinho e uma Morte Suspeita
Filippo Trantino deixou a Toscana e mudou-se para os Estados Unidos ainda criança, mas seu coração permaneceu entre as videiras da propriedade vinícola de sua família. Quando retorna para o funeral do avô, seus primos insistem que a morte não foi um acidente. Envolvido na investigação, Filippo percorre as paisagens bucólicas da Toscana, suas ricas tradições culinárias e seus renomados vinhedos, enquanto desvenda segredos de família e descobre a vida que sempre esteve destinado a viver.
Conheça Uma Morte na Toscana, um envolvente mistério italiano repleto de crime, cultura, gastronomia e vinho.
Trecho do livro
— Mais?
Esta única palavra foi tudo o que escutei, mas o som me fez despertar de meus devaneios. Um garçom estava parado próximo à mesa, sua face sem expressão, mas pronto para que eu pedisse outra bebida. O primeiro Campari com soda limonada tinha caído muito bem e meus pensamentos no momento pareciam implorar por outro copo daquele elixir calmante.
— Sim. — Foi tudo o que eu disse. Eu não estava a fim de conversar, e o garçom também não. Ele se afastou e me deixou voltar às minhas lembranças.
Foquei na escuridão além da janela da lanchonete do aeroporto. Era tudo um pouco surreal agora... Relembrar os anos que passei trabalhando nos vinhedos e fazendo vinhos no Castello dei Trantini com o meu avô. Ele estava morto agora, vítima de um acidente bobo na vinícola de nossa família na Toscana, e eu estava esperando por um avião que me levaria para a Itália, para o seu funeral, para os quartos vazios que antes estavam cheios de suas risadas.
Ainda que eu não tenha vivido no Castello dei Trantini desde que era garoto, minhas memórias da época eram claras. Eu poderia lembrar facilmente da névoa da manhã sobre as parreiras, da brisa tempestuosa que dançava pelas colinas da propriedade, até mesmo do cheiro do alecrim e da artemísia que margeavam as estradas que levavam ao Castello. Mas se, como dizem algumas pessoas, os aromas da juventude estão sempre conosco, sempre poderei imaginar os aromas do vinhedo e da vinícola que senti quando eu era novo.
Nossa vinícola sempre foi tão pacífica. Um tipo de paz que faz lembrar de como a vida pode ser pura neste mundo. Meus pais viviam em uma ala do Castello quando eu nasci, e mesmo depois de assumir as tarefas da nossa casa própria que ficava próxima, meus dias ainda eram tomados por atividades ao lado do Nonno Filippo. No Castello, a vida era enfeitada com refeições demoradas, degustações semanais, conversas sobre o vinhedo e discursos animados sobre comida e vinho — tudo acontecendo sob as tapeçarias medievais que mostravam cenas da pisa das uvas e vinificação e que pediam das paredes de pedra ao redor da lareira trepidante.
No lampejo da luz de velas, Nonno Filippo faria um serão poético sobre essa ou aquela safra. Meu pai iria discordar de sua seleção de vinhos, outros tomariam partido, ou simplesmente se contentariam em devorar as refeições magníficas que eram servidas todas as noites. Braços balançariam, brindes seriam feitos para celebrar um ponto, e, no fim do jantar, todos estariam certos que o Nonno ganhou a briga. Cada um de nós iria para a cama, simplesmente feliz com a proximidade da família, com o conforto de comer e beber bem e com os prazeres inexplicáveis da vida na Toscana.





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