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Um Único Suspiro

Um Único Suspiro

Traduzido por Rebeca Rodrigues Vargas e Souza

Uma Jornada Assombrosa por Entre a Culpa, o Mistério e as Sombras da Medicina

Depois de a obstetra Dana Cavanagh ser declarada inocente pela morte da sua paciente Bonnie, o veredicto traz-lhe pouco alívio. Começam a chegar cartas de ódio, mas uma delas é diferente: uma mensagem enigmática acompanhada por um pequeno fragmento de mármore proveniente de Kos, na Grécia — o berço de Hipócrates e do juramento que Dana um dia fez com orgulho.

Em busca de respostas, Dana viaja de Melbourne até Kos com a irmã, Madeleine. Outras cartas conduzem-nas por Roma, Avebury e Bath, enquanto visões de uma mulher misteriosa tornam cada vez mais ténue a fronteira entre o sonho e a realidade. À medida que segue cada pista, Dana terá de enfrentar o luto, a perda das suas certezas e a possibilidade de que alguém a esteja deliberadamente a conduzir até uma verdade devastadora.

A Single Breath é um mistério psicológico envolvente que explora a ética médica, a perda e a redenção, tendo como cenário as paisagens evocativas da Grécia, de Itália e de Inglaterra.

Acompanhe a jornada de Dana e descubra o segredo escondido nas cartas.

Trecho do livro

O teto da cabine era tão baixo que eu podia medir sua distância até meu rosto com um palmo. Uma luz fria vinha do cubículo do banheiro ricocheteando nas paredes e refletindo nos painéis acima do meu nariz. Onde se encontravam, alguém havia cutucado a costura como uma criança com a casquinha de um machucado. A cada virada e curva da balsa, a fumaça do diesel entrava pelos buracos.

Não escutava nada da cama abaixo. Minha irmã, presumi, estava dormindo pacificamente, mas eu precisava do conforto de seu entusiasmo. No espaço que sobrou para mim, eu contorci meu corpo de modo que minha cabeça e torso pendurassem sobre a borda do beliche.

“Madeleine. Está acordada?"

Houve um gemido baixo e o rangido das molas do beliche enquanto ela rolava.

"O que?” Seu bocejo estava pesado de sono.

"O que estamos fazendo aqui, Mads?"

Nenhuma resposta, apenas um ronco suave no fundo de sua garganta. Eu rolei para trás para olhar novamente para a costura irregular do teto. Um cachorro latiu em uma cabine em algum lugar ao longo do convés.

Na escuridão do que eu temia que fosse nossa cripta aquosa, me perguntei se fazer essa viagem havia sido uma escolha sábia.

Tudo começou com a chegada da primeira carta. O que me lembro daquele dia é tingido em tons suaves de outono. Devia estar calor porque eu estava sentada no quintal lendo o jornal. Eu olhei para cima, atraída por um tom na voz de Madeleine.

O ar parecia brilhar ao redor de seu corpo forte e sólido enquanto ela se movia em minha direção. Meu próprio corpo esgotado teria cortado o ar como uma lâmina cega. Seu braço estava levantado como se ela fosse dar um tapa na carta, ela se segurou na mesa de ferro fundido e seu rosto estava contraído por uma preocupação familiar. Quando a peguei, vi que meu nome e endereço estavam escritos em tinta nanquim, com uma caligrafia antiquada. Ela se sentou enquanto eu rompia o selo. Dentro havia uma folha de papel pergaminho dobrada. Quando eu abri, uma pequena pedra caiu sobre a mesa.

“O que diz”? Madeleine acenou com a cabeça em direção ao bilhete e se aproximou da maneira protetora que ela havia adotado naqueles meses. Ela pegou a pedra e a rolou entre os dedos.

As letras de uma língua estrangeira estavam escritas no centro da página.

"Não está em inglês", eu disse e passei para ela. Ela tentou proferir o que pareciam ser três palavras e encolheu os ombros quando me devolveu a carta. Eu estudei mais de perto.

"Pode ser grego". O envelope estava virado para cima e eu observei o carimbo do correio. “Foi enviado de Kos”, eu disse.

"Onde?"

“Uma ilha grega perto da costa turca”.

Os olhos da minha irmã brilharam em resposta. Ela sempre foi ávida por mistério, uma característica que a levou a aventuras mais ousadas do que eu jamais poderia imaginar. Peguei a pedra e segurei-a com uma das mãos por baixo da mesa. Voltei a ler o jornal, fingindo falta de interesse na carta, mas na verdade senti um pequeno e silencioso pavor.

Uma Segunda Vida

Uma Segunda Vida